domingo, 24 de setembro de 2017

Às coisas simples da vida


É tão bom estar rodeada de gente alegre, simples e amorosa. A vida realmente é feita destes pequenos momentos. Basta um momento embrenhada na natureza, com mantas coloridas, comida caseira e risos largos e sinceros. Basta-me rir com vontade, ouvir palavras verdadeiras de gente verdadeira. Não preciso de piscinas, carros luxuosos, nem de roupas caras. Prescindo de sorrisos de conveniência, de ambientes ricos. 
Os olhos daquela gente simpática transmitia-me coisas boas e bonitas. Aquela simplicidade fazia sentir-me em casa, amada, mesmo que as tenha conhecida apenas ali, por baixo de pinheiros, rodeada de areia, paus e melros. 
Senti-me acarinhada por aqueles que parecia conhecer há eternidades.

sábado, 23 de setembro de 2017

Rebelião

E ali estava eu, à porta do prédio do homem, que nem para foder me fazia uma prioridade. A desilusão mais uma vez assolava-me. Não queria estar outra vez a sentir-me assim. Porque me predispunha a tal papel? Porque me apaixonava pelos homens errados? Os bad boys atraiam-me. A tendência era agora a regra. E porque me sabotava a mim mesma?
Tinha medo. Medo de amar. De gostar de alguém que valesse a pena. De gostar de alguém que me olhasse dentro. De quem me fizesse sentir transparente aos seus olhos. Que me descobrisse, e mesmo assim, me aceitasse como sou. Que me visse os defeitos e me acolhesse nos momentos de fragilidade, de humanidade, imperfeição e fraqueza. 
Sim. Nem todos os dias sou alegre e optimista. Tenho medo de não alcançar aquilo a que me proponho. E de me sentir exposta, vulnerável. De amar e não ser correspondida. Da montanha russa que é conhecer alguém até às entranhas. Tenho medo, porém não quero continuar à porta de quem não sou uma prioridade. Não quero consumir o tempo de silêncios, de palavras pensadas, de gestos por fazer, de carícias não concretizadas e de amor sem objecto.
Hoje decidi deixar a porta e abandonar aquilo que não me faz bem.  

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Sexo egoísta

A long, long time ago I fell in love for a very egocentric person. Assim, como no quotidiano, aquilo que ele era reflectia-se na cama. Um egoísta só preocupado com o seu belo prazer. Mesmo que me desse prazer havia sempre um sentimento de ausência, de lacuna.
Aprendi a não querer egoístas, sem apetência para o novo, o experimentar.
Percebi que queria um homem só para mim com vontade de satisfazer ambas as partes. Que tivesse curiosidade de explorar o corpo de várias formas e ao mesmo tempo não sentir uma ligação gélida entre os dois.
Há pessoas que simplesmente não se conectam e o nosso caso era um deles.
Continuo a minha busca por entre esses milhões de homens disponíveis por aí. Algum deles irá conectar-se com o meu eu.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Fechei o meu coração - Out of business

Fechei o meu coração ao amor. As expectativas que não correspondiam à realidade. As desilusões ao longo do tempo. Todo o processo de conhecer alguém é ora fascinante ora desgastante. Mesmo se formos educados a não esperar nada de ninguém, a simbiose não acontece e volta-se à estaca zero. 

Vou fechar o meu coração e comportar-me como se não necessitasse de uma relação amorosa. Afinal todos os dias sou bombardeada de teorias da felicidade a solo. Por isso, não preciso de ninguém a meu lado. É tão mais fácil. Não tenho de me expor, ceder a compromissos conjuntos, de partilhar o meu espaço, principalmente a cama king size. Não discuto opiniões nem tão pouco abdico da minha liberdade. Ai a minha liberdade. Essa que tanto amo que me permite fazer tudo a meu belo prazer. A vida gira à minha volta. Não dou satisfações a ninguém, nem me aguarda a inquisição quando regresso a casa. A minha carreira evoluí ao ritmo que quero sem interferências. A necessidade de ter alguém para colmatar as minhas fraquezas emocionais é egoísta e ilusório. Esperar que o outro ame aquilo que não amo em mim é negativo e inútil. 
Assim fechei o meu coração. 

sábado, 27 de maio de 2017

De novo apaixonada

Voltei a apaixonar-me. E como é belo e terrível e louco. Para mim a paixão é dos sentimentos mais angustiantes que existe. Deixa-me sem chão, à mercê do outro. 
É como ser um floco de neve frágil e belo que se deixa machucar e vergar pelo vento até desaparecer. 

E assim me sinto eu sem saber se sou correspondida neste meu devaneio. Ah e a ansiedade por uma palavra que seja do meu apaixonado, por algo que me confirme estas dúvidas. Este sentimento consome-me e atira-me num abismo e ao mesmo tempo num lindo miradouro.

Sinto-me exposta e vulnerável. 

Quero falar-lhe e não sei o que dizer. Quero estar perto mas sem ser inconveniente. Quero sentir reciprocidade neste sentimento. 

Talvez me apaixone demasiado rápido e facilmente. Quiçá pelas pessoas erradas. 
O meu coração já frágil, fica diminuído pelo facto de nada existir na realidade. Será tudo da mente? Estarão os meus olhos a jogar comigo? Estarei a iludir-me?
A concentração escapa-me como a presa escapa ao predador. Sigo um caminho cego, sem orientações, sem regras, sem ninguém ao meu lado. Palpo o terreno aos poucos, com as minhas mãos a tremer temendo o caminho que se adivinha longo. 

As certezas escapam-se-me por entre os dedos. o norte confunde-se com o sul, o este e o oeste. Nada é definitivo. nada é totalmente verdadeiro. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Amor maduro

Olhando em retrospectiva a minha viagem no amor teve altos e baixos. Mas não me arrependo. Foi o auto conhecimento e o descobrir do outro que me levou onde estou agora. Com a maturidade percebo o quanto cresci e desenvolvi um lindo amor próprio e que só assim foi possível amar alguém.

Acredito que todos com quem tive relações amorosas trouxeram-me a experiência de encarar o outro de forma diferenciada, vivida e de mais entrega. Talvez não tanta como a que queria pois também me guardei, talvez demais. Fechei-me numa bolha impenetrável e foi mais difícil de lá sair quando quis realmente mostrar o meu íntimo. Quis amar mas não me abri.

O medo andava ao meu lado como uma lapa agarrada à rocha. Quis amar alguém que não se amava, quis pedir amor quando não o devia pedir. Só mais tarde percebi que o amor não se pede. Sente-se de forma mais ou menos igual, num determinado momento, não se força. Aprendi que todos temos um tempo. Até eu o tinha e não o sabia, fui sabendo-o aos poucos. A mente amadureceu e o que antes me fascinava já não tinha qualquer impacto em mim. Separei o trigo do joio. Descobri-me e percebi o que procurava.

Hoje respeito o meu tempo. Olho-me com mais certezas. Não me iludo a mim mesma. Se estou neste momento, no agora, aproveito-o. Claro que é incontrolável a minha sede de futuro, porém lido bem com ela e deixo-a a pairar sem ansiedades.

Procuro agora um amor maduro, sábio e imperfeito. Se a imperfeição não existir é porque a minha mente imagina o real. Não posso concebê-lo.
A consciência vai-me permitir amar.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Seríamos o silêncio e o amor em plenitude

Hoje acordar foi um tormento. Dormir a teu lado até me despertares com beijos doces, com mimos e palavras suaves era o meu desejo. Dizias-me para esquecer o trabalho, que faríamos um passeio no jardim ou à beira mar.
Seríamos o silêncio e o amor em plenitude.